Meus Homens
Em minha cama dormem
um rei
um príncipe
um bandido.
Do rei
não se nota a passagem
é discreto no seu
não-comprometimento
em fazer "as coisas" que
todo mundo faz.
A coroa, deposita suave,
as roupas, dobra com cuidado
e, com cuidado, não suja os lençóis.
Do príncipe
o rastro é pequeno,
é jovem, há que se ter paciência
com a impaciência de seus arroubos,
em ensinar-lhe os ritos
guiando-o pelos caminhos
"das coisas" que
todo mundo faz.
Do bandido
sente-se o cheiro
um doce desleixo
quando joga as roupas e,
de gozo, inunda os lençóis.
Mas é amor que existe
nesse aparente descuido
no barulho do coito
no jeito safado
de fazer "as coisas" que
todo mundo faz.
Mariza Lourenço




0 comentários:
Postar um comentário
<< voltar