quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Mulheres calam disfunções sexuais



A falha na comunicação no casal e a falta de informação são
entraves à resolução dos problemas de disfunção sexual

Falar de sexo - ou da sua ausência - ainda parece ser matéria reservada a poucas mulheres portuguesas, apesar da aparente abertura de espírito traduzida em crónicas nas revistas, em programas de televisão, ou mesmo em conversas de amigos, à mesa do café. Perto de metade delas preferem calar eventuais disfunções e esperar que o tempo resolva o incómodo.

É a conclusão possível de extrair dos dados preliminares do estudo Episex-pt, financiado pela Pfizer, sob a égide da Sociedade Portuguesa de Andrologia, que é hoje conhecido na sua totalidade. Números já divulgados revelavam que 56% das inquiridas - num universo de 1250 portuguesas dos 18 aos 75 anos - admitiam sofrer de disfunção sexual. Dessas, 19% apontavam mesmo problemas graves.

Acrescenta-se agora que apenas 59% das mulheres com algum tipo de disfunção dão conta dela ao companheiro e só 55% procuram um profissional de saúde. Números que podem dar que pensar, dado a maioria dos problemas serem patológicos - físicos ou não -, comentou ao JN o psiquiatra Freitas Gomes. "A educação a esse nível ainda é muito restrita em Portugal e o assunto continua a ser tabu em muitos extractos sociais e culturais".

Ainda segundo o Episex-pt, 39% das mulheres insatisfeitas com a sua vida sexual declaram não fazer "nada" em relação a isso e 63% tendem a atribuir o facto ao stresse. Sabe-se ainda que dois terços das que não procuram ajuda profissional têm "fé" que o problema "vá melhorar por si" e 58% dizem mesmo que a questão "não é relevante". Sentem-se "bem" como estão.

"As mulheres ainda atribuem uma certa normalidade a um mal-estar que não é normal, é patológico", acredita o psiquiatra, em cujo consultório já ouviu muitos desabafos sobre sexualidades falhadas. Mais de mulheres do que de homens, garante. Fugir a falar do assunto, diz Freitas Gomes, é resultado da educação da nossa sociedade. O treino "deveria começar na escola". Somam-se "medo, infelicidade" e uma boa dose de formatação mediática das mentalidades "A informação que passa da relação humana é má, vive da exploração da mulher".

A informação é, de resto, uma das maiores causas a que este especialista liga a disfunção sexual. Antes de mais, quando toca a perceber que a sexualidade para a mulher é diferente daquilo que é para o homem, contrapondo o conceito feminino de afectividade ao masculino de atracção pelo visual. "Fala-se erradamente como se fôssemos iguais. É preciso ensinar a diferença". Acoplada à falta de informação - até para perceber que se está perante uma patologia - surge justamente, segundo o psiquiatra, a falha na comunicação no casal. Quanto às mulheres que se dizem bem como estão, "é fugir à realidade", afirma Freitas Gomes, linearmente.

Falta de desejo está no top das disfunções para ambos


A falta de desejo foi admitida por 35% das portuguesas inquiridas, no ano passado, para o estudo Episex-pt, sendo o tipo de disfunção sexual mais referido. Seguem-se 34% com dor ou desconforto na relação, 32% com diminuição da excitação/lubrificação e outras tantas com dificuldades de orgasmo. Segundo dados relativos aos homens, já divulgados, 24% confessam algum problema sexual, à frente dos quais surgem a falta de desejo (15%) e dificuldades de erecção (13%). Números que o presidente da Sociedade de Andrologia defende não poderem ser interpretados como uma maior frigidez da mulher portuguesa, já que as disfunções graves apenas afectam 19% das inquiridas.

(Fonte: JN, 2006-02-08)

2 comentários:

Blogger paxaxita diz que...

Há mais gente "disfundida" do eu pensava.

fevereiro 09, 2006 5:32 PM  
Anonymous paxaxita´s lover diz que...

Eu retirava-te dessas percentagens negativas... ai tirava tirava!!!

fevereiro 09, 2006 9:46 PM  

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