segunda-feira, setembro 11, 2006

Lobo Mau...


O Capuchinho Vermelho

- Não te esqueças de dar as flores à avozinha - disse a mãe do Capuchinho Vermelho.
- Não esqueço, não, mamã - retorquiu a menina, ao sair a porta.
- E tem cuidado com o Lobo Mau que anda sempre rondando por aí, a querer comer toda a gente - insistiu a mãe, carinhosa.
- Ora, mamã! Já li àcerca dele! - e Capuchinho Vermelho, num saltitar alegre, enveredou pelo atalho que atravessava a floresta e ia dar à casa da avó. Com o cestinho de flores no braço.
- Ah, estas crianças! - suspirou a boa mãe, fechando a porta.
Capuchinho Vermelho seguiu o seu caminho. Um malmequer aqui, um rebenta-bois ali, um cardo acolá, lá ia aumentando o bonito ramo de flores para a vovó.
Eis senão quando surge o Lobo Mau. Aliás, já era de esperar.
- Onde vais, Capuchinho Vermelho? - perguntou, lambendo o beiço e piscando o olho aos pequeninos leitores.
- Ora - retorquiu Capuchinho Vermelho, encostando-se a uma árvore e acendendo um Gitanes que lhe oferecera o Valdomiro da embaixada - Sabes muito bem onde vou. - Atirou o fósforo à orelha do Lobo mau e continuou: - Levar estas flores à avozinha, que tu queres comer para depois me comeres a mim.
- Eu, comer-te? - o Lobo mau arregalou o olho, num espanto.
- Sim, por que não?
Capuchinho Vermelho meteu os cigarros no bolso do aventalinho bordado, colocou o cestinho de flores no chão e fez umas cócegas no pirilau do Lobo Mau. O Lobo Mau deu três pulos, é óbvio. Capuchinho Vermelho prosseguiu:
- Se bem que a avozinha esteja bastante seca, como sabes, deve no entanto chegar para dois. Vem daí comigo.
O Lobo Mau foi logo, coitado.
À noite, na bonita casinha da avó, no outro lado da floresta, o Lobo mau roía o último fémur e a menina, enquanto punha um pouco mais de banha na frigideira para fritar as iscas, explica ao bicho voraz:
- Quanto a comeres-me, falamos disso mais logo.
E falaram.
Por isso, meus meninos, é que há agora por aí muitos Capuchinhos Vermelhos com um grande rabo, dentes afiados e, ainda por cima, a pedir boleias.

(estória de Wilson Gasosa (Mário-Henrique Leiria), publicada em "O Coiso", nº 1, 7 de Março de 1975, Aqui)

10 comentários:

Anonymous Cond' Arcos diz que...

Moral da história:
Dar de comer aos lobos muas é uma tábua de salvação...

setembro 11, 2006 12:02 PM  
Anonymous LoboMau diz que...

o lobo mau, apesar das orelhas grandes, pode não te ouvir, apesar do focinho grande, pode não te cheirar, apesar dos olhos grandes, pode, até, nem te ver, mas........
COME-TE !!!!!!!
Assim, por um dia, pelo menos por um dia, abdicarei da minha identidade de Principe Encantado e, caraças, vestirei a pele do Lobo Mau ! ! ! ! !

setembro 11, 2006 1:22 PM  
Anonymous ácido nítrico diz que...

anda, abraça-a, beija-a,
encosta teu dente ao pescoço dela,
.......
esquece o que vai na rua,
vem ser minha e serei teu,
que falem não nos interessa,
o mundo não nos importa
.......
só nós dois compreendemos
o calor dos nossos BEIJOS
só nós dois é que sofremos
a tortura dos DESEJOS

setembro 12, 2006 11:10 AM  
Anonymous eros diz que...

Que importa o escândalo se o prazer é nosso? Não é?

Intriga:
A paxaxita entrou de férias ou foi para a escola?

setembro 12, 2006 12:52 PM  
Anonymous Joana d'Arcos diz que...

Intriga 2:
A Paxaxita está com o Lobo Mau...
Ahahahahah

setembro 12, 2006 1:20 PM  
Blogger paxaxita diz que...

Eu não sou de intrigas mas ... o Lobo não era nada Mau!

setembro 12, 2006 2:31 PM  
Blogger paxaxita diz que...

Sr Eros
Não entrei de férias nem precisei de ir para a escola para aprender mais qualquer "coisita".
ehehe

setembro 12, 2006 2:40 PM  
Anonymous eros diz que...

Claro!
Aprende-se em qualquer sítio.

Até na cama (quando estamos vivos e acordados...).

Intriga 3:
A história do Lobo Mau não me recordo se a aprendi na escola, em férias ou na cama...mas sei que estava acordado.

setembro 12, 2006 11:31 PM  
Anonymous lobomau diz que...

Eu é que não sou, mesmo nada, nem de intrigas nem de me abotoar com penachos por feitos que não alcancei.
Era eu quem, em 11 de Setembro, era o Lobo Mau, e, garanto, a Paxaxita, não estava comigo, com grande, enorme, incomensurável, pena minha.
Pois é, como diz o anexim, quem tem pena fica depenado.
E, assim, passei a ser o único Lobo Mau das fantasiosas e engendradas histórias de encantar que fiquei, ao mesmo tempo, com a fama mas sem o proveito, e, pasme-se,...depenado.

setembro 13, 2006 11:11 AM  
Anonymous lobomau diz que...

Joana d'Arcos, aproxima-se o momento de viabilizar e dar cumprimento à sua informação, supra....

setembro 18, 2006 4:56 PM  

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