quarta-feira, março 21, 2007

Hábitos de amar


Não é exacto que o prazer só perdura.
Muita vez vivido, cresce ainda mais.
Repetir as mil versões prévias, iguais
É aquilo que a nossa atracção segura:

O frémito do teu traseiro há muito
A pedi-las! Oh, a tua carne é ardil!
E a segunda é, que traz venturas mil,
Que a tua voz presa exija o desfruto!

Esse abrir de joelhos! Esse deixar-se coitar!
E o tremer, que à minha carne sinal solta
Que saciada a ânsia, logo te volta!
Esse serpear lasso! As mãos a buscar-
-Me. Tua a sorrir!
Ai, vezes que se faça:
Não fossem já tantas, não tinha tanta graça!

Bertolt Brecht

4 comentários:

Anonymous joão ratão diz que...

Oh, que sugestivas, quentes, apetitosas, lascivas, voluptuosas e lúbricas flores.

Parecem ser como um bom vinho. Apetecem comer. Mastigar. Dar-lhes a volta, na boca, e depois, degustar e usufruir.

E, de novo, vezes e vezes sem conta, as colher, as cuidar, as mimosear e, de novo, as usufruir.

março 21, 2007 10:24 AM  
Anonymous joão ratão diz que...

Oh, que famintos beijos na floresta....

Luís Vaz de Camões, in LUSÍADAS, canto IX

março 21, 2007 10:29 AM  
Blogger Myllana diz que...

Fixe:)

março 21, 2007 5:43 PM  
Anonymous John Moca junior diz que...

Pa páva-te a coisita toda...

março 27, 2007 11:42 AM  

Postar um comentário

<< voltar